29 de dezembro de 2010

Sucessos Pop(bre)s




Bem sabemos que a música popular ocidental baseia-se na série tonal estabelecida na música erudita há, pelo menos, 300 anos. Porém, enquanto a música erudita continuou se desenvolvendo, até no século passado chegar a romper com este sistema, parece que a música popular, e aqui falo mais enfaticamente do pop, ficou na primeira descoberta. Aliás, ficou na essência, no primitivo, no básico deste sistema.

Desculpe-me se a introdução foi subjetiva e prolixa demais. Tentarei desenrolar.

Quais foram os grandes sucessos da música pop dos últimos quarenta anos? Você com certeza deve ter sua listinha na cabeça! O que há em comum entre elas? Saberia dizer? Eu diria que o que as une é a grande falta de criatividade harmônica! Sim, afinal de contas não há nada de criativo em repetir uma sequência de acordes do começo ao fim de uma música.

Todos que estudam música sabem que dá pra se acompanhar qualquer música tonal com 3 acordes. O que me surpreende é que essas músicas ao invés de serem métodos de ensino para iniciantes sejam grandes sucessos mundiais!

Mas nem tudo é tão negro quanto eu estou pintando. O que é um grande "amadorismo" é também uma grande virtude. Na verdade faz muito sentido se fazer música deste tipo, digo, é decoroso fazer música assim para a grande massa da população. Explicar-me-ei.

Eu não posso falar com uma criança de 4 anos que ainda não sabe ler, da mesma forma que eu falaria com um adulto de 40 que tem doutorado! Primeiro, ela não iria entender. Segundo, ela iria achar enfadonho. Terceiro, ela te acharia um velho! Rá!

Veja, quando a música é uma repetição contínua de alguns acordes acontece um fenômeno interessantes:  Eu entendo a música na primeira sequência, o que vem depois é repetição e meu cérebro não é surpreendido por mais nada (harmonicamente). Se eu entendo a música tão facilmente eu não preciso me preocupar com nada mais! Agora eu tenho tempo de me preocupar com o que o solista está cantando (que normalmente também não exige grande esforço), pra dançar, pra pular, gritar, cantar junto, me distrair a vontade. Que genial! É divertido e não exige um pingo de cérebro. Isso é o que a maioria das pessoas desejam - e foram viciadas.

Existe uma banda humorística da Austrália chamada "Axis of Awesome". Eles satirizam de maneira espetacular e exemplificam de maneira prática o que acabei de dizer. Eles usam 4 acordes (tônica, dominante, tônica relativa e subdominante, respectivamente) e encaixam 40 músicas, sucessos dos últimos 40 anos em 4 minutos de música! Você pode fazer, acredite, com uma centena de músicas! Divirta-se:


Absolutamente não sou contra a música pop. Sou contra a preguiça de se desenvolver, de aprender e evoluir. Todos poderiam começar no pop, mas não parar por aí. Já ouviu falar que o cérebro atrofia se você não o utiliza? Isso é pra tudo na vida! E música, mais do que qualquer outra coisa, está presente no cotidiano de todas as pessoas do mundo.

Eu escuto música pop, e advinha em que situação... pra relaxar, extravasar, me divertir. Como eu disse, ela é ótima quando não se está prestando atenção nela!

Não tenho muita esperança que o mundo mude sua concepção de sucesso. Mas realmente trabalho para que  cada vez mais pessoas aprendam a admirar música um pouco mais elevada.
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20 de dezembro de 2010

Uma pianista "eletrizante"




Pessoal, esse post é curto. É somente para publicar e eternizar o estado de espanto/admiração/terror e tantos outros sentimentos que tomaram posse de mim depois que eu fiquei ao assisti um certo vídeo.

Trata-se da pianista Valentina Lisitsa, ucraniana da cidade de Kiev. Neste vídeo ela toca parte da sinfonia "Totentanz" para piano solo e orquestra de Liszt. Falando em Liszt, quando eu escutei esta interpretação eu fiz uma séria e profunda pergunta: "Será que Liszt tocava tanto quanto essa mulher?". Se tocava, ele realmente tocava MUITO!

Quanto ao que me tocou, é simples. Resumo em duas frases. 
- "Eu nunca tinha visto uma peça pra piano tão difícil"
- "Eu nunca vi alguém tocar algo parecido com tanta facilidade"
Quem resumiu isso muito bem foi meu colega pianista Pedro Gabriel Lima, estudante da UFSM, ao responder para mim o que ele achava deste vídeo. Nas palavras dele: "eu acho que essa mulher não deve ter vida pra tocar uma coisa dessa com tanta facilidade". Sim, acredito que ele quis dizer "vida". "vida social", "vida virtual" ou qualquer uma dessas que a gente (ociosos humanos) sempre tem de sobra. A única vida que ela tem, tenho certeza, é musical. Aliás, a vida dela não é pra ela, deve ser totalmente à música. Uma doação, sem volta.

Sem mais delongas, quero compartilhar esse vídeo com vocês.

Se você está com preguiça de assistir quero te dizer uma coisa: - Não serão 15 minutos perdidos no teu dia, serão 15 minutos que entrarão para os momentos mais marcantes da tua vida.
Portanto, aumente (muito) o som e não tire os olhos dessa belíssima interpretação.



Descreva a sua sensação ao assistir este vídeo!

7 de setembro de 2010

Liberdade ou morte!




Cento e oitenta e oito anos se passaram desde aquele fatídico dia à beira do Ipiranga. Hoje a maioria das pessoas, que não se deixaram iludir pelas lúdicas professoras do ensino fundamental, sabem que a circunstância não foi das mais pomposas, como retratado por Pedro Américo. Fato era que em um dia de rei (fazendo de trono qualquer moita no caminho entre São Paulo e Santos), Dom Pedro I proclamou a frase tão conhecida, mas que não era lá tão convincente quanto nos ensinaram.

Livres de Portugal, mas escravos dos governantes. O povo pouco participou na ocasião. Nem mesmo para receber a notícia. Quanta coisa mudou de lá para cá! Quanta coisa mudou?

Ironicamente a Independência do Brasil é comemorada em meio à disputa eleitoral. Hoje nos orgulhamos tanto de ter um país democrático! Um país que tem o privilégio de escolher seus próprios dirigentes. Mas será que temos a liberdade de escolha tal como nos fazem acreditar? Vivemos mesmo a plenitude da democracia?

Eu tinha um professor que dizia que preferia uma má democracia à uma boa ditadura. Hoje eu questiono se a  própria democracia em que vivemos não chega a ser um tipo de ditadura. Sim, uma ditadura que tem aparência de democracia e se utiliza do poder à ela confiado para promover o absolutismo.

Afinal de contas, quando eu, como dirigente do país, ignoro a educação da população e faço com que eles não tenham acesso a informação, e quando a têm, não tenham educação suficiente para processar essa informação, eu não estou impedindo as pessoas de exercerem a democracia? Não os estou privando do privilégio de pensar,  e votarem conscientemente?

Continuamos independentes, mas nunca tão dependentes! Por um lado livres, por outro, escravos. 
Continuamos dependendo do governo para nos dar educação e, ironicamente, eles dependem de nós para serem eleitos. Como um círculo vicioso, o Brasil não avança intelectualmente, apenas num aparente sucesso econômico que gera um frenesi anestésico nas massas que pensam estar tudo muito melhor.

É em momentos como esse que eu tenho muito mais vontade de cantar o hino da proclamação da república do que o da independência do Brasil. Não quero cantar que "houve mão mais poderosa" e nós zombamos dela. Porque na realidade, uma mão mais poderosa que nos oprime, e não ousamos nem sequer tirá-la do poder. Talvez nem devêssemos, não sei. 

Eu quero é cantar e clamar por Liberdade! E pedir que ela venha estender suas "asas sobre nós", mesmo em meio às lutas (patéticas de disputa eleitoral), na tempestade (de ideologias que não saem do papel), pedir que possamos ouvir sua voz. Porque pelo menos se a ouvirmos poderemos nos lembrar que ela existe e lutaremos, talvez, por ela.

O homem almeja por liberdade. Mas qual a verdadeira liberdade? Escutei em um cd recém lançado da cantora Laura Morena uma canção com esta temática. A letra fala de um homem, o estereótipo de toda uma sociedade, que clama por sua liberdade. O refrão dessa música não poderia ser outro, senão o hino da proclamação da república que retrata musicalmente toda essa amplidão, tanto do pedido quanto da própria liberdade.

Hoje talvez seja o dia de mudarmos a frase de Dom Pedro e dizermos: "Liberdade, poque a morte já ocorreu".

Dê um novo significado à esta frase escutando a música.


"Liberdade" - Letra e Música: Tuiu Cosca e Ricardo Martins.
Incidência do Hino da Proclamação da República de José Albuquerque e Leopoldo Miguez.

1 de setembro de 2010

Futebol na Música Erudita




Pois bem, como prometido, continuemos a seção "Solistas Inusitados". Já mostrei uma peça para máquina de escrever, de Leroy Anderson. Hoje tenho a honra de apresentar um compositor brasileiro. Mas vamos por partes.

Todo brasileiro é envolvido, de uma ou outra forma, com futebol. Até os que não se interessam dão os seus pitacos quando a seleção entra em campo. É impossível não se envolver pelo menos um pouco nascendo no país em que nascemos.

Se uma atividade afeta tanto a vida de uma sociedade, como pode não afetar a sua música? 

A resposta é: Não pode. Já conhecemos várias músicas populares que tem a temática futebol. Mas apesar de o Brasil não ser um país de cultura erudita (longe disso) houve quem se influenciasse pelo futebol para compor uma música moderna.

Seu nome? Gilberto Mendes. Nascido em Santos-SP é considerado um dos grandes compositores mundiais do modernismo. Hoje comparado inclusive (comparação que ele próprio acha indigna) com grandes nomes da início da fase moderna da música erudita como Stravinsky, por exemplo.

Ele mesmo confessa que nunca foi ligado em futebol. Mas como viveu na época áurea de Pelé no Santos, "em Santos era impossível não acompanhar isso", disse ele. Sim, ele escreveu uma música "para orquestra e fitas magnéticas", e levou isso à salas de concertos.

Sem mais delongas, apresento aqui uma gravação feita no ano passado. A música se chama: Santos Futebol Music. Quem está coordenando o auditório é o próprio Gilberto Mendes! Essa gravação também tem tomadas de referência com outra gravação do grande maestro (falecido) Eleazar de Carvalho, que apresentou essa música inúmeras vezes.


Quem tiver interesse vale muito à pena ver a entrevista dele ao programa "provocações" da Tv Cultura. Pra facilitar a vida de todo mundo vou colocar os vídeos aqui também.

Nesse programa ele fala sobre sua vida pessoal, sobre esta música, sobre o "Rap polifônico" Coca-cola (cloaca), música erudita versus popular, comparação sobre outros compositores. Vale muito a pena! Conheça esse gênio da música erudita brasileira que ainda está entre nós.




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30 de agosto de 2010

Marcha Turca - Violão à 4 mãos

A maioria das pessoas conhece, ou pelo menos já ouviu a "Marcha Turca" de Mozart. Na verdade esse é o terceiro (último) movimento de uma sonata (Sonata n. 11 - Op K. 331) da juventude do gênio.

Bom, todo mundo conhece a versão pra piano! Mas quero apresentar um arranjo para violão à quatro mãos.

Divirtam-se





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27 de agosto de 2010

Eu achava difícil tocar piano




Já vi muitos vídeos de superação. Como pessoas com deficiências e dificuldades em diferentes - e inúmeras - áreas se superam de diferentes maneiras e conseguem ser como as pessoas "normais".

Muito dessas coisas já me fizeram refletir e pensar na força de vontade e capacidade de realização do ser humano. Mas hoje foi diferente.

Eu sou pianista. Não um concertista, longe disso. Mas me arrisco a tocar coisas interessantes e complexas, que até me dou bem de vez em quando. A questão é que D-s me deu duas mãos e DEZ  dedinhos ágeis para fazer isso. Com um pouco de treino qualquer um consegue.

Hoje eu vi uma pessoa diferente. O chinês Liu Wei apareceu no programa "China's got talent" (A China tem talento) tocando piano com os pés. Isso mesmo, tocando piano com os dedos dos pés!

É óbvio que por questões técnicas ele nunca vai conseguir tocar a maioria das peças do repertório pianístico. E aí que está o grande barato. Ele é apaixonado pela própria música. Ele compõe "melodias acompanhadas" que poderiam ser a própria trilha sonora de sua vida. São profundas, intimistas e cheias de sentimento. Como se, ironicamente, a nostalgia de sua música fosse o retrato do que o mundo, hoje, sente ao vê-lo tocando piano.

Até hoje eu achava difícil tocar piano. Hoje eu entendi que o limite está na mente de quem o impõe.


China's Got Talent - Inteiro (sem legenda)




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25 de agosto de 2010

Para aqueles que adoram olhares


Se é verdade que eu tenho "tara" por pés, é mais verdade ainda que sou tarado por olhares.

É fato também que sou um cara essencialmente auditivo. (Em uma palestra geralmente estarei de cabeça baixa - e muitas vezes sendo mal interpretado - mas antenado em tudo.) Mas talvez seja isso que faça do visual algo tão especial pra mim. Pois não é tudo, mas um outro aspecto, um outro modo de ver (me permitam o péssimo, mas significativo trocadilho) o mundo.

Um olhar diz muito. Muitas vezes diz tudo. Tudo... o que precisamos saber naquele momento. E agora você pode viajar em suas lembranças à vontade. Sei que tem muitos olhares de que você se recorda e queria reviver. Nem vou citar exemplos para não induzi-lo a imaginar demais.

Pois bem, eu sou muito ligado em certos olhares. Mas nem sempre no olho, objeto da ação. Lembre-se de que não sou alguém visual, e sim, auditivo. Porém me deleito por vezes (e, repetidas vezes) em fotografias. Às vezes me pego fuçando o blog do meu colega "Leandro Franco" só pra ver se ele postou mais um de seus trabalhos. Ou então em sites como 1000imagens.com, só para ter um refresco visual.

Sem mais delongas: Tempo atrás alguém postou no twitter: "Fotos super aproximadas do olho humano". Abri sem questionar. Juntou minha paixão (contida) por fotografia e a minha curiosidade pelos detalhes do belo trabalho de design do olho humano. (Isso, é claro, porque eu tenho um olho que me dá orgulho, kkk)

Trata-se de um trabalho do fotógrafo Suren Manvelyan, da Armênia. Pra quem interessar, ele usou uma câmera DLSR e lente 100/2.8 macro. Alto grau de fidelidade.

Contemplem!







Esse é parecido com o da minha mãe :D




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